A ARQUITECTURA DO UNIVERSO

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Nascimento e Estrutura do Universo

Estrutura do Universo

O Universo é tudo o que existe, existiu ou existirá!

- Galáxias, agrupadas em enxames, que por sua vez estão agrupadas em superenxames
- Estrelas e sistemas planetários
- Restos de estrelas - anãs brancas, castanhas e negras - estrelas de neutrões e buracos negros
- Poeiras interestelares
- Nebulosas
- Espaço Intergaláctico

O Universo está organizado!

Posição da Terra no Universo

Expansão do Universo

Origem do Universo – Teoria do Big Bang

Se o Universo se encontra em expansão, as galáxias irão ficar mais distanciadas umas das outras, o que implica que haverá mais espaço vazio entre elas e a densidade do Universo, e a sua temperatura, será cada vez menor.

Se recuarmos no tempo, veríamos as galáxias cada vez mais próximas, a densidade do Universo seria cada vez maior, bem como a sua temperatura, acabando por se chegar a um estado primordial de enorme densidade e temperatura, a partir do qual o Universo terá entrado em expansão explosiva.

Nesse estado primordial, a que os cientistas chamaram Big Bang, iniciou-se a contagem do tempo universal e nasceu o espaço. ( O Big Bang terá ocorrido há cerca de quinze mil milhões de anos, isto é, 1,5 x 1010 anos ).

Provas que favorecem o Big Bang

Limitações da Teoria do Big Bang; Outras Teorias

Porque ocorreu o Big Bang?

Como ocorreu?

O que havia, se é que havia, antes do Big Bang?

Qual o destino do Universo?

Todas estas questões, sem resposta, estão na base da argumentação de todos os astrofísicos quando tentam interpretar o Universo.

Todos eles admitem que o Universo está em expansão, mas propõem diferentes teorias para explicar o fenómeno.

Escalas de temperatura, tempo e comprimento

Grandeza

símbolo

Unidade SI

símbolo

Temperatura

T

kelvin

K

Tempo

t

segundo

s

Comprimento

d

metro

m

Temperatura

Escala Kelvin ou escala das temperaturas absolutas

Escala Celsius

Escala Fahrenheit

T (K)

T (ºC)

T (ºF)

0 K ( zero absoluto )

-273 ºC

-460 ºF

273 K

0 ºC

32 ºF

373 K

100 ºC

212 ºF

escalas de temperatura: kelvin, celsius e fahrenheit

 

T (K) ¹ T (ºC)

D T (K) = D T (ºC)

D T = 1 K = 1 ºC

0 ºC = 273 K

T (K) = T (ºC) + 273

Conversor de Temperaturas download

D T = 1 ºC = 1,8 ºF

D T (ºF) = 1,8 x D T (ºC)

T (ºF) = 32 + 1,8 x T (ºC)

Tempo

A grandeza tempo, em Astronomia, é normalmente expressa em anos.

Comprimento

Alguns múltiplos do metro

 

Alguns submúltiplos do metro

Decâmetro (dam)

1 dam = 1 x 101 m

Decímetro (dm)

1 dm = 1 x 10-1 m

Hectómetro (hm)

1 hm = 1 x 102 m

Centímetro (cm)

1 cm = 1 x 10-2 m

Kilómetro (km)

1 km = 1 x 103 m

Milímetro (mm)

1 mm = 1 x 10-3 m

 

Micrómetro (m m)

1 m m = 1 x 10-6 m

Nanómetro (nm)

1 nm = 1 x 10-9 m

Angstrom (A)

1 A = 1 x 10-10 m

Picómetro (pm)

1 pm = 1 x 10-12 m

Para exprimir distâncias ou comprimentos vulgares usamos a unidade SI ou os seus múltiplos e submúltiplos.

Mas as distâncias no Cosmos são tão grandes que não faz muito sentido usarmos as unidades habituais.

Para medir distâncias no Sistema Solar utiliza-se outra unidade de medida– a Unidade Astronómica ( UA ), que se define como a distância média da Terra em relação ao Sol.

1 UA = 1,50 x 108 km = 1,50 x 1011 m

Para medir as distâncias entre as estrelas, que são distâncias incomensuravelmente maiores que as dimensões do Sistema Solar, recorre-se a unidades ainda mais convenientes – o ano-luz ( a.l. ) e o parsec ( pc ).

 

Tabela de conversões de distâncias astronómicas

unidade astronómica (UA)

ano-luz (a.l.)

parsec (pc)

metro (m)

1,00

1,60 x 10-5

4,90 x 10-6

1,50 x 1011

6,31 x 104

1,00

0,31

9,47 x 1015

2,06 x 105

3,26

1,00

3,09 x 1016

 

A Origem dos Elementos Químicos

Reacções nucleares – génese dos elementos químicos

As estrelas não são eternas; nascem, evoluem e morrem. Todos os elementos químicos existentes no Universo, e consequentemente na Terra, e em nós, foram gerados no interior das estrelas, através de reacções nucleares, na matéria que as formou ou na matéria que delas resulta.

Reacção química

Reacção nuclear

A escrita das equações correspondentes às reacções nucleares deve mostrar:

Representação simbólica

significa que o elemento químico tem um número atómico , isto é, o número de protões, e que este átomo deste elemento químico tem um número de massa , isto é, a soma do número de protões com o número de neutrões, ou seja, o número total de nucleões.

Exemplos: - hidrogénio ; - hélio-4 ; - lítio-7

Atenção que nem todos os átomos do mesmo elemento químico podem ser iguais. Lembremo-nos dos isótopos.

Exemplos: - hidrogénio ; - deutério ; - trítio

Partículas

neutrão -

electrão -

positrão - , é a antipartícula do electrão, dado que tem massa igual à do electrão mas carga eléctrica simétrica

protão - ou , dado que um protão é um núcleo de hidrogénio

antiprotão - , é a antipartícula do protão, dado que tem massa igual à do protão mas carga eléctrica simétrica

neutrino - , partícula sem massa e sem carga

fotão - , corpúsculo de luz

As reacções nucleares podem ser de dois tipos:

Reacção de formação do hélio-4 a partir do hidrogénio

Esta reacção dá-se no coração das estrelas e a equação global pode representar-se por:

Energia = 6,43 x 1011 J/g de He produzido!

Estas reacções exigem inicialmente uma grande quantidade de energia, para que os núcleos se possam unir, vencendo as repulsões eléctricas entre eles, só se iniciando, portanto, a temperaturas muito elevadas, sendo por isso designadas reacções termonucleares.

Nas estrelas, as temperaturas muitíssimo elevadas do seu interior permitem as reacções de fusão nuclear ( TSol » 1,5 x 109 K ).

Reacção de fissão do urânio-235, quando bombardeado com neutrões

Esta reacção dá-se nas centrais nucleares e serviu de base à bomba atómica.

E = 1,86 x 1013 J por cada 235 g de urânio-235 consumido!

Nucleossíntese primordial

De acordo com a Teoria do Big Bang, o Universo surgiu de um estado de grande compressão e de temperatura e densidade muito elevadas ( praticamente infinitas ).

O Universo entrou em expansão, muito rápida inicialmente e mais lenta posteriormente.

Com a expansão diminuiu a temperatura.

Big Bang : Expansão ® Arrefecimento

Aos t = 10-5 s e a T = 1013 K forma-se o "caldo inicial", isto é, matéria e radiação, as duas formas de energia do Universo, se interconvertem constantemente uma na outra.

Aos t = 3 min e a T = 108 K começa a nucleossíntese primordial, isto é, dá-se a génese dos primeiros núcleos atómicos.

- síntese do deutério

ou - síntese do hélio-3

ou - síntese do hélio-4

ou - síntese do lítio-7

A nucleossíntese primordial pára aqui, pois os nuclidos de número de massa 5 e 8 formados pela colisão destes núcleos com protões ou neutrões, desintegram-se facilmente porque são instáveis.

No entanto confirmou-se o papel da radiação cósmica na síntese de alguns núcleos leves, pois o espaço é percorrido por protões de alta velocidade (radiação cósmica) que ao colidirem com outros núcleos, como os de carbono ou oxigénio, levam à formação de , , e .

Todos os restantes nuclidos de número de massa superior a 11 são produzidos nas estrelas – nucleossíntese estelar.

Aos t = 300 000 anos e a T = 3000 K começa a génese dos primeiros átomos, pois deixam de existir electrões livres, uma vez que estes se ligam aos núcleos, formando átomos de hidrogénio-1, deutério, hélio-3, hélio-4 e lítio-7.

A esta temperatura, a radiação deixa de ser absorvida pelas partículas existentes, começando a propagar-se, "enfraquecendo" devido à expansão.

É essa radiação que nos chega actualmente sob a forma de radiação cósmica de microondas, detectada pela primeira vez em 1964 por Arno Penzias e Robert Wilson, e prevista por George Gamow.

Com a expansão do Universo, o comprimento de onda dessa radiação foi aumentando, diminuindo a sua frequência e a sua energia, diminuindo, consequentemente, a sua temperatura, medida em 2,725 K.

Nucleossíntese estelar

Com a expansão do Universo os átomos formados pela nucleossíntese primordial aglutinaram-se em nuvens de gás.

Por volta de t = 2 000 000 000 anos e a T entre 6 e 14 k começa a génese das primeiras estrelas e galáxias.

Por acção da força gravitacional, as nuvens de gás contraíram-se formando as protoestrelas. Resumindo:

génese dos elementos químicos

A matéria das protoestrelas continua a contrair-se, devido à gravidade, provocando aquecimento e, quando a temperatura no seu interior atinge os 10 a 15 milhões de graus kelvin, inicia-se a fusão nuclear do hidrogénio em hélio-4 e a estrela começa a brilhar.

As quantidades de energia libertadas intensificam a agitação das partículas, originando forças de pressão que tendem a expandir a matéria estelar, o que contraria a gravidade que tende a comprimi-la. Este é o equilíbrio no qual a estrela se mantém durante a maior parte da sua vida – fase principal da vida da estrela.

fase principal da vida de uma estrela

A duração desta fase depende da massa inicial da estrela. As estrelas mais maciças queimam mais rapidamente o hidrogénio porque necessitam de maior quantidade de energia para equilibrar a contracção gravitacional, sendo, por isso, mais elevada a sua temperatura.

Quando todo o hidrogénio se transforma em hélio, as forças que contrariam a força da gravidade deixam de existir, o que implica a contracção do núcleo da estrela.

Esta contracção reaquece o núcleo da estrela, aumentando a temperatura duma forma tal que é suficiente para permitir novas reacções de fusão.

        E = 6,42 x 1010 J/g de carbono produzido

E = 7,8 x 1010 J/g de oxigénio produzido

Ocorre a expansão da camada exterior da estrela, onde não ocorre fusão, rica em hidrogénio, diminuindo a temperatura da parte mais superficial da estrela, que assume uma cor avermelhada, estrela gigante vermelha – fase de gigante vermelha.

fase da estrela gigante vermelha  
  • no núcleo da estrela ocorre a fusão do hélio em carbono e oxigénio

 

  • na camada fina que envolve o núcleo continua a ocorrer a fusão do hidrogénio em hélio

 

  • a camada exterior expande-se, ganhando cor vermelha

 

A fase seguinte depende da massa inicial da estrela.

Mestrela £ 8 M0

Mestrela > 8 M0

fase da estrela supergigante vermelha  
  • fusão do carbono em néon e magnésio e do oxigénio em silício e enxofre
  • nova contracção do núcleo da estrela
  • fusão do silício e do enxofre em ferro
  • reacções nucleares nas camadas exteriores
  • expansão das camadas exteriores devido à energia propagada do interior

fase de estrela supergigante vermelha

  • paragem das reacções nucleares
  • energia libertada no núcleo não é suficiente para provocar a fusão do ferro
  • colapso rápido do núcleo de ferro da estrela, devido à gravidade
  • libertação de gigantescas quantidades de energia, que aquecem brutalmente as camadas exteriores, aquecendo-as e empurrando-as para o espaço, a velocidade elevada (supernova)
  • novas reacções nucleares, no envelope gasoso, em expansão, onde se produzem os elementos mais pesados, do ferro ao urânio

Mestrela < 25 M0

  • compressão cada vez maior do resíduo estelar, o que leva à desagregação dos núcleos, por colisão
  • transformação dos protões em neutrões, dando origem a uma estrela de neutrões ou pulsar
  • equilíbrio entre as forças de pressão dos neutrões e a força da gravidade

Mestrela > 25 M0

  • o resíduo estelar torna-se ainda mais denso que a estrela de neutrões
  • a força da gravidade é tão elevada que nenhuma força interior consegue compensar
  • nada escapa, nem mesmo a luz – buraco negro

Nucleossíntese interestelar

  • raios cósmicos, protões e/ou electrões de grande energia cinética, provenientes de supernovas e outros fenómenos cósmicos, colidem com elementos existentes no espaço interestelar, dividindo e originando elementos leves, inexistentes na nucleossíntese primordial e na nucleossíntese estelar, o lítio-6, o berílio e o boro, completando a formação dos elementos químicos
  • "somos feitos de matéria cósmica, somos poeiras de estrelas"
  • "somos irmãos das rochas e primos das estrelas"

Abundâncias relativas dos elementos no Universo

  • o elemento mais abundante no Universo é o hidrogénio, com cerca de 90 % em número de átomos
  • o hélio é o segundo elemento mais abundante no Universo, com cerca de 8 % em número de átomos
  • seguem-se em abundância, os seguintes elementos: oxigénio, carbono, néon, azoto, magnésio, silício, ferro e enxofre
  • os elementos mais pesados aparecem em quantidades mínimas, elementos vestigiais