Cláudio Ptolomeu e Nicolau Copérnico do geocentrismo ao heliocentrismo

 

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Pretende-se fazer uma pequena abordagem à evolução do geocentrismo ao heliocentrismo, uma mudança radical sobre a visão da Terra no Universo, uma mudança que alterou o destino da humanidade.

 

 

 

 

 

 

Cláudio Ptolomeu

 

Cláudio Ptolomeu: pensador grego

Fig. 1- Retrato de Cláudio Ptolomeu

Cláudio Ptolomeu nasceu no início do século II da era cristã em Tolemaida Herméia, colónia grega no Egipto. Era um célebre astrónomo, geógrafo e matemático. Com base nas suas observações astronómicas, pode-se estabelecer com certeza quase absoluta que viveu em Alexandria o mais importante centro cultural da época – de 127 a 145. Nesse período de tempo seu trabalho atingiu o apogeu.

Ptolomeu era uma das personalidade das mais célebres da época do imperador Marco Aurélio, sendo o último dos grandes sábios gregos e procurou sintetizar o trabalho de seus predecessores. Por meio de suas obras de astronomia, matemática, geometria, física e geografia, deu à civilização medieval o seu primeiro contacto com a ciência grega. Talvez tenha trabalhado até o ano de 151. Segundo a tradição árabe, Ptolomeu morreu aos 78 anos de idade, deixando-nos muitos dos seus conhecimentos astronómicos por meio de um tratado, em treze volumes, o Almagesto.

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Teoria geocêntrica

 

Fig. 2 - Observações de Ptolomeu

Com os seus estudos e os seus livros Ptolomeu contribuiu para todos os ramos do saber científico. Infelizmente, parte de seus escritos perdeu-se mas os que restam, no entanto, são suficientes para documentar a importância de seu trabalho.

A sua obra mais importante é a Síntese Matemática, compêndio astronómico composto de 13 livros, nos quais apresenta e desenvolve argumentos a favor da teoria geocêntrica do universo. A obra passou em seguida a ser chamada pelo nome de "O Grande Astrónomo".

No século IX, os astrónomos árabes usavam o superlativo Magiste (O Maior) para se referir à obra. Desse termo, ao qual foi acrescentado o artigo árabe Al, surgiu o nome Almagesto (A1-Magiste), com o qual a obra é conhecida hoje.

 

O Almagesto tornou-se o principal texto sobre astronomia durante os dezasseis séculos seguintes (até Kepler fornecer os argumentos que consolidaram definitivamente a teoria heliocêntrica formulada por Copérnico).

Fig. 3 - O modelo geocêntrico de Ptolomeu

Segundo Ptolomeu, os planetas, o Sol e a Lua giravam em torno da Terra na seguinte ordem: Lua, Mercúrio, Vénus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Com a ajuda da trigonometria, Ptolomeu estudou o movimento desses astros mas propôs uma explicação muito simplista para o problema do movimento aparente dos planetas: em determinados pontos de suas órbitas eles parecem deter-se, inverter seu movimento, deter-se novamente, finalmente mover-se na direcção primitiva. Esses fenómenos devem-se, na realidade, ao facto de a Terra e os planetas moverem-se com velocidades diferentes em órbitas aproximadamente concêntricas e circulares.

Ptolomeu, porém, para procurar explicar esse fenómeno aparentemente tão estranho, elaborou um sistema bastante complicado, embora geometricamente plausível.

 

Os planetas estariam fixados sobre esferas concêntricas de cristal, presididas pela esfera das estrelas. Todas essas esferas girariam com velocidades diferentes, o que, julgava Ptolomeu, explicava as diferentes velocidades médias com que se moviam os diversos planetas.

Mas restava ainda explicar os movimentos retrógrados e as "aparentes paragens" dos planetas. Ptolomeu foi então obrigado a fazer os planetas executarem movimentos em epiciclo: cada um deles girava descrevendo círculos (os epiciclos) sobre uma esfera menor, cujo centro estava situado sobre a esfera maior. Assim o céu encheu-se de várias rodas gigantes com o passar do tempo. Porém, foi-se entendendo que o mecanismo não explicava satisfatoriamente os movimentos celestes. Como resultado, o número de epiciclos cresceu enormemente, de tal forma que, ao tempo de Copérnico, a confusão formada pelas centenas de rodas gigantes, dentro de outras rodas gigantes era tão grande que já escapara da compreensão dos estudiosos. Para coroar o complicadíssimo mecanismo, os teólogos medievais povoaram o céu com exércitos de anjos, querubins, etc., cada qual, responsável por um epiciclo.

Ptolomeu aperfeiçoou também a teoria lunar de Hiparco, estabelecendo uma lei para o fenómeno da evicção, já observado por este último. Consiste numa irregularidade no movimento lunar, devida à atracção do Sol. De facto, pela influência da atracção solar, a trajectória da Lua não descreve uma órbita elíptica constante, podendo estar antecipada ou retardada em relação à posição que deveria ocupar, se seu movimento fosse uniforme.

O valor calculado por Ptolomeu para a evicção lunar estava muito próximo do adoptado actualmente. Além disso, Ptolomeu elaborou tabelas do movimento lunar que foram utilizadas até o tempo de Copérnico.

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Nicolau Copérnico

 

Nicolau Copérnico: clérigo polaco

Fig. 4 – Nicolau Copérnico

Matemático e astrónomo polaco, autor da Teoria Heliocêntrica, segundo a qual o sol é o verdadeiro centro do sistema solar, devendo-se a sucessão de dias e noites, ao movimento da rotação da Terra sobre seu próprio eixo.

Copérnico nasceu em Torun, na Posnâmia (região polaca nas margens do Vístula) na fronteira com a Alemanha, a 19 de Fevereiro de 1453, e era filho de um comerciante que o deixou órfão, aos 10 anos.

A sua tutela ficou a cargo do seu tio Lucius Waczenrade, Bispo de Erimland, tendo crescido a meio do período renascentista, no qual o saber, bem como a cultura avançaram revolucionariamente. Também serviu a Igreja Católica, o que de certa forma foi positivo, pois lhe dava acesso ao saber entesourado da Igreja.

 
Foi o primeiro grande astrónomo depois da Idade Média tendo sido considerado o pai da concepção heliocêntrica do Sistema Solar, em contraposição à concepção ptolemaica (de Ptolomeu) que situava a Terra no centro desse sistema.

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Teoria heliocêntrica

 

Propriedades planetárias

Em 1491, ingressou na Universidade de Cracóvia, onde estudou, principalmente, matemática. Depois na Universidade de Bolonha estudou grego e em Pádua Medicina. Em 1500 voltou a Polónia, e já como monge, assumiu as funções de cónego em Frauenburg, exercendo a medicina. Como a sua verdadeira paixão era a astronomia, teve a sua atenção despertada pelo planeta Marte, e das suas observações,surgiram as seguintes questões:

Porque razão os planetas se tornavam cada vez maiores, mais brilhantes, ao longo de sua trajectória?

Cresciam ? (o que parecia absurdo!)

Ou ficavam tão mais perto da Terra?

O que certamente, os levava a sair dos epiciclos, onde deveriam permanecer...

Diante das suas dúvidas, Copérnico, com a sua tranquilidade característica, passou a estudar os pensadores antigos, que ousaram dar um movimento à Terra, e colocar o Sol como centro do Universo.

Depois de minuciosos cálculos matemáticos, ele deduziu: A Terra executa um movimento completo em torno de seu eixo. Isso explicaria o movimento do Sol e das estrelas, produzindo o dia e a noite. Novos cálculos o levaram a atribuir ao Sol o movimento anual, que na verdade é executado pela Terra.


As suas afirmações eram contrárias a Teoria Geocêntrica, que afirmava ser a Terra fixa, e que todos os demais astros, giravam em torno dela. A Igreja fundamentava-se na Teoria Geocêntrica, e agia de modo bravio, contra qualquer conceito contrário a esta teoria. A Teoria Geocêntrica, também chamada de Teoria Ptolemaica, por ter sido elaborada por Cláudio Ptolomeu, astrónomo e geógrafo grego do séc. II, dizia que a Terra era imóvel e ao seu redor giravam a Lua, o Sol, os planetas e as estrelas.

Durante 30 anos, Copérnico, analisando e meditando nas suas próprias observações, concluiu a sua teoria. Como uma das suas maiores características era ser prudente, de início, apresentou sua teoria como mera hipótese, já que naquela época eram comuns, as condenações por heresia.

 


As revelações


Copérnico, era eclesiástico, respeitava e temia as autoridades religiosas e, para estas, a teoria de Ptolomeu era mais adequada para confirmar, as citações bíblicas, de modo conveniente para a Igreja. Temendo contradizê-la, Copérnico, em 1530, apresentou a sua teoria apenas entre os astrónomos, num manuscrito chamado "Pequenos Comentários de Nicolau Copérnico em torno de suas hipóteses sobre os movimentos celestes".

Somente em 1540, permitiu que George Rhäticus, seu discípulo, publicasse as suas ideias, na obra "Narrativa acerca das obras de Copérnico sobre revoluções".

 


A obra


Finalmente em 1543, esse mesmo discípulo, fez circular, em Nuremberga, a obra completa de Copérnico, "Sobre a revolução dos orbes celestes", onde a Teoria Heliocêntrica, era colocada de forma científica, e não como hipótese. Isto deu-se sem o conhecimento de Copérnico, que teve o exemplar nas mãos, já pronto, às portas de sua morte, em Frauenburg, a 24 de Maio de 1543, a mesma data em que veio a falecer.

Esta publicação, que tinha prefácio dedicado ao papa Paulo III, fora substituída por outro, anónimo, atribuído a Andreas Osiander, que insistia sobre o carácter hipotético do novo sistema.


Só após 20 anos da divulgação da pesquisa de Copérnico, o frade dominicano Giordano Bruno acrescentou a teoria, à ideia do Universo infinito, levantando novamente a polémica. Por isso, a Inquisição, condenou-o à morte.

Nessa mesma época, iniciava a sua carreira como professor universitário, Galileu Galilei, que finalmente cimentou esta teoria.

A obra de Copérnico foi comprovada por grandes astrónomos e matemáticos como Galileu, Kepler e Newton, mas até 1835, a Igreja manteve-a na sua lista negra. Mas esta obra, considerada valiosa e pioneira, garantiu-lhe o posto de Pai da Astronomia Moderna.

 

Fig. 5 – Teoria Heliocêntrica

Alguns meses antes de morrer, publicou o seu célebre trabalho "Das revoluções dos Mundos Celestes".

O primeiro exemplar do seu livro chegou às suas mãos no dia da sua morte. Poucas horas antes de falecer, teve a satisfação de ver a sua obra publicada, que apenas em 1616 foi proibido o seu ensino, mas já demasiado tarde para parar a revolução do sistema heliocêntrico.

 

 

 

Fig. 6 – Passagem da teoria de Cláudio Ptolomeu para a teoria de Nicolau Copérnico

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Bibliografia

 

ALVES, António, AAVV, Enciclopédia 2003, Porto editora, Porto, 2003

http://www.espr.pt/departam/g04/textos/cientistas/ptolomeu/ptolomeu.html

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