Isaac Newton considerou que a força com que o Sol atraía um dado planeta, por exemplo a Terra, tinha a mesma intensidade da força com que esse planeta atraía o Sol, o enunciado da sua 3ª lei, tal que, como resultado dessa força surgia uma aceleração para o movimento desse planeta pois, como
, i.e., a intensidade da força exercida sobre a Terra pelo Sol é directamente proporcional à norma da aceleração da Terra, sendo a constante de proporcionalidade a massa desta, o enunciado da sua 2ª lei.
Considerando a órbita da Terra como circular, na realidade ela é elíptica, como afirma Kepler na sua 1ª lei, a Lei das Órbitas, mas como é de pequena excentricidade podemos assim a considerar, o movimento da Terra em torno do Sol é circular uniforme, atendendo à consideração anterior, e
, i.e., a norma da aceleração da Terra é dada como o produto do quadrado da velocidade angular da Terra pela distância da Terra ao Sol tal que, como
, vem
, sendo
o período do movimento.
Pela 3ª lei de Kepler, a Lei dos Períodos, o quadrado do período de revolução de um planeta é directamente proporcional ao cubo do eixo maior da elipse, mas como estamos a considerar a órbita do planeta como circular será
, ou seja,
.
Então,
. Designando
, uma constante devida ao Sol, temos
.
Mas Newton não conhecia o valor de
e então considerou do mesmo tipo a força que a Terra exercia sobre a Lua (e vice-versa) produzindo nesta uma aceleração (a do seu movimento).
Logo,
, i.e., a intensidade da força exercida sobre a Lua pela Terra é directamente proporcional à aceleração do movimento da Lua, sendo a constante de proporcionalidade a massa desta, e
, sendo
uma constante devido à Terra e
a distância da Terra à Lua.
Mas Newton também não conhecia o valor de
. Então considerou a força que a Terra exercia sobre uma maçã, colocada à sua superfície, e que, segundo reza a história teria caído sobre a sua cabeça, despoletando toda esta questão, tal que
, i.e., a intensidade da força exercida sobre a maçã pela Terra é directamente proporcional à aceleração da maçã, sendo a constante de proporcionalidade a massa desta, e
, com
a tal constante devida à Terra e
o raio médio da Terra, pois a maçã está praticamente à sua superfície. Note-se que a Terra é considerada aqui como uma esfera mas na realidade é achatada nos pólos, devido à rotação em torno do seu eixo, e possui bastantes irregularidades à sua superfície, sendo por isso considerada um geóide.
Mas Newton conhecia
e
, pois
e
.
Substituindo em
vem:
![]()
Substituindo em
, com
, também conhecido, vem:

Newton conhecia o valor experimental de
. Como?
Considerando o movimento da Lua em torno da Terra como circular e uniforme temos
. O período da translação da Lua é de 27,3 dias, ou seja de
, e
, o que dá
.
Os valores para
eram concordantes e convenceram Newton da validade do seu raciocínio. Então, para o sistema Terra-Sol:
, i.e., a intensidade da força exercida sobre a Terra pelo Sol é igual à intensidade da força exercida sobre o Sol pela Terra e estas forças são forças gravitacionais, pois são devido a elas que os astros gravitam em torno de outros astros.
Assim, como a intensidade da força exercida sobre a Terra pelo Sol é
e a intensidade da força exercida sobre o Sol pela Terra é
temos, pela Lei da Acção e da Reacção:
![]()
pois
.
Newton designou o quociente supra indicado como uma constante,
, a que apelidou de constante de gravitação universal.
Assim,
, com
, temos
uma vez que, como está acima indicado,
, ou seja,
.
Então, se para o sistema Terra – Sol a força gravitacional com que estes astros se atraem tem uma intensidade dada por
, generalizando, para dois corpos, de massas
e
, cuja distância entre os seus centros seja
, temos:
![]()
Salienta-se que Newton não chegou a descobrir concretamente quanto valia a sua constante de gravitação universal,
, mas de
podemos constatar que seria algo como
, o que não está nada mal. Claro que Newton desconhecia a massa da Terra tendo apenas chegado a referir que a ordem de grandeza desta constante seria de
.
Foi Henry Cavendish quem, em 1798, através de uma experiência com uma balança de torção, chegou ao valor desta constante, assumida como
.
Constante de gravitação universal